Eu uso o meu perfil numa rede social para diversos fins, um deles, trata-se de criar contextos experimentais para compreender melhor a essência da argumentação.
Esta foi uma das experiências:
A minha questão era saber se esta proposição é um argumento falacioso:
Proposição:
"A evolução demorou milhões de anos a criar uma galinha. Eu não digo que a evolução seja uma mentira, mas depois de olhar para uma galinha, quem pode levar a evolução a sério?"
Eu não considero este argumento como sendo falacioso. Imagino, por exemplo, um cenário - não tão futurista - em que um cientista queira promover uma técnica de manipulação genética radical onde se poderia dar origem a uma espécie humana com pele azul e cabelos verdes. Este cientista poderia, eventualmente, iniciar o seu discurso com o mesmo tipo de argumento que foi usado com a galinha, sugerindo assim que o processo de selecção natural é pouco eficaz, logo deve ser substituído por um processo artificial eficiente e rápido a produzir grandiosos resultados.
Apesar desta consideração, não creio que usar estas proposições, por si só, resultem numa falácia. Pois, não há um contexto que induza uma audiência em erro.
Porém, houve alguém que comentou o post com a galinha.
SR: É uma corrida de longo prazo. A galinha adaptou-se e sobreviveu onde outros "mais fortes" sucumbiram. A beleza da evolução é isto: não é ditada pelo momento mas sim pelo tempo.
Observando este comentário, dei uma réplica que, a meu ver, já é falaciosa.
Resposta: SR, para mim, uma galinha passa o tempo todo da sua vida a preparar-se para um momento: o meu jantar.
Eu considero esta resposta como uma falácia devido a quatro razões:
1) A resposta afasta-se do tema do meu interlocutor. Ele está a referir-se à evolução e eu aludo um jantar. Ou seja, estou a criar um artificio para quem está de fora menosprezar o tema principal - a evolução por selecção natural.
2) Eu não uso o termo "tempo" do mesmo modo que o meu interlocutor. Ele está a falar de milhões ou milhares de anos, e eu estou a alardear o tempo de vida de uma galinha.
3) O humor aqui acrescenta o efeito diversão que resulta na ampliação do artificio para o público desviar-se do tema principal.
4) Por fim, há uma tentativa de afectar a credibilidade de quem profere o argumento sério.
Este post experimental demonstra que é possível através da ligeireza levar uma plateia a preterir um tema relevante, só para poder desfrutar de um momento de humor.

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