quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

As vantagens da segunda vez

Hoje reincidi duas leituras. 

Crime e Castigo
A primeira repetição foi o quarto capítulo da quinta parte do Crime e Castigo. É passagem em que o herói conta a Sónia o seu crime. Tive de reler esta parte porque inadvertidamente perdi a conta onde estava a ler, ou seja, isto aconteceu por acaso. Fiquei surpreendido porque na primeira leitura deixei escapar críticos pormenores. Por exemplo, não fixei o paralelo que o autor fez entre a revelação a Sónia e o momento do assassinato. Para além disto, não me lembrei da comparação feita entre a Lisaveta e Sónia. São detalhes críticos. Passaram-me ao lado. 

A segunda leitura do dia foi: The Prevention of Literature - George Orwell 

Excelente ensaio. Saber que ocorreu uma conferência para celebrar o Areopagitica de Milton, onde o autor e o seu panfleto não são mencionados é um detalhe saboroso. Outro aspecto que escapou-me foi saber que a rebelião - no mundo protestante - tinha uma ligação umbilical com a integridade intelectual. 

As vantagens das leituras reincidentes são manifestas. Há sempre algo que nos escapa. A verdadeira literatura - tal como o diabo - está nos detalhes. A satisfação da memória depende das correcções e acrescentos daquilo que fixamos. A memória é estimulada quando regressamos aos lugares onde já estivemos. A memória fica mais límpida quando obrigamos a mesma a crescer e evoluir. 

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